Atualizado em: julho 15, 2025 às 4:29 pm
Por Guilherme Costa
No último dia 13 de junho, a Malvada lançou o seu segundo e autointitulado disco de estúdio, via Frontiers Records. O álbum foi o primeiro com a gravadora italiana, o primeiro com a vocalista Indira Castillo e a baixista Rafaela Reoli (que se juntaram a Bruna Tsuruda e Juliana Salgado) e também foi o primeiro registro com a maioria das letras em inglês. Tantas novidades que parece que a a primeira formação do quarteto, que contava com Angel Sberse (vocal) e Ma Langer (baixo), foi em outra vida.
Mas não é bem assim. Afinal, a Malvada segue sendo uma banda de Hard Rock e é esse espírito que conecta os seus dois álbuns de estúdio — sobretudo pelo trabalho de Bruna Tsuruda, digno de grandes nomes como Jan Kuehnemund, Warren DeMartini, Richie Sambora e etc.
Enquanto “A Noite Vai Ferver” (que é um bom disco, apesar do nome) tinha a veia Blues Rock do Great White e do The New Roses, o autointitulado álbum é mais pesado. E é nesse clima de Hard Rock moderno que o álbum abre com a boa “Down The Walls”, tendo uma base consistente, riffs pesados. Uma boa introdução para a explosão que é a faixa seguinte, “Yesterday (My End, My Beginning)”, mostrando as meninas mais soltas — principalmente a Indira, que solta mais a sua potente voz!
Além do “toque moderno”, o novo álbum mostra que Indira, Ingrid, Juliana e Rafaela estão mais ambiciosas. “Fear” — a quarta faixa do registro — é uma balada tão pomposa quanto “November Rain” ou “Dry Country”, tendo uma grande carga dramática impulsionada por arranjos de cordas, enquanto Indira brilha sobre a atmosfera densa da faixa. Sobre a letra, em suas redes sociais a Malvada postou um vídeo no qual elas comentavam o que davam medo; embora as respostas sejam “simples” (medo de barata, e etc), a letra indica ter um significado bem mais profundo:
“Estou sem fôlego/ Meu peito também está doendo/ Estou perdendo o senso de realidade/ Uma vontade de chorar/ Eu não consigo dormir/ Não consigo encontrar uma maneira de parar/ Estou realmente vivendo?/ Eu quero acabar com tudo/ É medo?”
Embora “Fear” seja a única balada com toques mais grandiosos, o Hard Rock das outras dez faixas é muito competente, passando por faixas pesada (“Bulletproof” e “Aversão”, esta última com um dos solos mais legais do álbum), um certo clima de festa (“Veneno”) e baladas (“Como Se Fosse Hoje” e “I’m Sorry”).
O Hard Rock, principalmente o oitentista, foi o primeiro gênero que eu tive contato na minha adolescência. Ouvi tanto que enjoei. E, assim como os finlandeses do Temple Balls, a Malvada fez um trabalho que agrada tanto o fã mais fervoroso quanto o que está saturado do estilo!