Atualizado em: setembro 2, 2025 às 9:01 pm
Por: Arthur Coelho
Em dezembro do ano passado, a lendária banda Descendents enfim retornou ao Brasil com uma curta turnê de shows que passou duas vezes pela cidade de São Paulo e uma por Curitiba.
Além das clássicas músicas que marcam um marcam a agitação do grupo desde os anos 80, como “Good Good Things”, “I’m the One”e “Everything Sux”, o quarteto punk também apresentou um de seus sons mais comoventes, a simbólica e melódica “Smile”.
Ela foi escolhida para fechar o setlist antes do encore nas três datas brasileiras e é considerada uma das favoritas do compositor e vocalista Milo Auckerman.
“I can see your pain has left you locked up/Beat down/I can see the fear has made you desperate/Burnt out”
(“Posso ver que sua dor te deixou trancado/Devastado/Posso ver que o medo te tornou desesperado/Destruído”)
O grupo é reconhecido por composições e líricas sinceras, que colocam na cantoria tudo aquilo que seus membros estão passando, sentindo ou pensando no momento. E não é diferente com essa faixa. O que muitos nem desconfiam, entretanto, é que ela foi pensada como uma homenagem a outra companheiro da banda.
Em uma entrevista para o jornal local The Seeker, o frontman falou abertamente sobre o significado emotivo por trás das letras de “Smile” e sua importância para o Descendents:
“Isso foi escrito sobre Bill, o baterista. Eu escrevi para ele. Ele passou por uma série de problemas de saúde no início desta década, culminando em uma embolia pulmonar e, posteriormente, na remoção de um enorme tumor do tamanho de uma uva de seu cérebro – portanto, um tumor cerebral. Depois de tudo o que aconteceu, ele estava totalmente em recuperação, mas acho que psicologicamente ele ainda tinha um longo caminho a percorrer, porque você pode imaginar a luta que ele teve que passar. Eu acho que essa música documenta esse período. Ele começou a melhorar fisicamente, mas mentalmente estava meio que deprimido. Eu estava observando isso e escrevi essa música para ele”.
Bill Stevenson é um dos fundadores do grupo punk e já fez parte de outra lendária banda da mesma cena, o Black Flag. Mais do que qualquer um, ele deve ter se emocionado ao ouvir tais palavras de motivação e companheirismo que marcam o refrão da canção:
“All I can do is lend a hand/Be a friend again/And it’s ok if you want to vent, but/What I wouldn’t give to see you smile?/Once in a while”
(Tudo o que posso fazer é dar uma mão/Ser um amigo novamente/E tá tudo bem se você quiser desabafar, mas/O que eu não daria para te ver sorrir?/De vez em quando)
Bill e Milo não são apenas companheiros de banda, como também amigos de longa data. A história deles é como um daqueles contos de amizade de infância, uma recíproca irmandade expressa em letras de músicas. Ainda nos anos 80, o baterista escreveu a faixa “Pep Talk” como um conselho para Milo, que teve seu coração partido em um relacionamento.
“Nós meio que tentamos dar um ao outro conversas estimulantes de vez em quando. Ele e eu somos melhores amigos desde o ensino médio. Eu devia um a ele. Ele me deu uma palestra estimulante, e agora eu tinha que dar a ele uma conversa estimulante de volta. É por isso que eu escrevi. É um que vivemos agora e é divertido porque é sobre tentar elevar outra pessoa para torcer por ela. Eu sou seu maior fã, então eu tenho que ser sua maior líder de torcida também. Foi assim que foi escrito“.