Atualizado em: novembro 30, 2025 às 6:49 pm

Por: Arthur Coelho

O postdrome debutou há apenas alguns meses — mais especificamente em abril de 2025 — com um EP de estreia autointitulado, que inclusive foi indicado entre os melhores do ano pelo Um Outro Lado da Música. Mas quem ouve o som do quarteto de Denver (CO) sem aviso prévio, pode até a suspeitar que eles, na verdade, sejam veteranos da cena alternativa. E motivo para isso tem de sobra: o debut apresenta uma excelente produção e envolve um diferentes músicas que une elementos ousados de nu-metal e post-hardcore com camadas atmosféricas — algo que eles chamam de nu-gaze.

O postdrome é um grupo único e talvez a melhor pessoa para explicar mais sobre isso seja o criador o criador de conteúdo Derryk Esquivel, que lidera o grupo como guitarrista e vocal principal. Nos últimos dias, ele falou conosco sobre suas principais influências, processo de produção do novo material e diversos outros tópicos.

O EP tem tido números fantásticos no Spotify. Em menos de um ano de lançamento, quase todas as músicas ultrapassaram as 100 mil reproduções — o que é impressionante. O que você atribui esse sucesso? Ele também se traduz em mais pessoas nos shows?

Sim, tem sido uma loucura! Honestamente, não temos certeza do que levou o Spotify a impulsionar nosso EP da forma como fez, mas somos extremamente gratos por isso. Gostamos de pensar que as músicas ressoaram com um número suficiente de pessoas para alcançar um público certo e nos apresentar a muita gente que talvez nunca tivesse ouvido falar de nós — o que, novamente, nos deixa muito felizes. Pelos shows que fizemos, definitivamente houve um aumento no número de pessoas que vimos nas apresentações. Se isso veio dos números de streaming ou não, nós não sabemos. Tudo aconteceu tão rápido que é difícil dizer. Mas esperamos ver cada vez mais gente conforme continuarmos tocando.

O EP soa de forma pesada e atmosférica, principalmente em “So Inviting”, que parece mais densa. Ter trabalhado com Corey Coffman, que faz parte da banda de shoegaze Gleemer, influenciou no resultado desse som ou foi o desejo de soar dessa forma que os levou a procurá-lo como produtor?

Nós tínhamos escrito as músicas do EP algum tempo antes de procurar o Corey para gravar/produzir para nós. Ele foi, na verdade, a única pessoa que contatamos para dar vida a essas músicas. Todos nós amávamos o trabalho que ele tinha feito com algumas de nossas bandas favoritas (Modern Color, Trauma Ray, Prize Horse, Downward, Midrift) e, mesmo sendo que sejamos mais pesados que essas bandas, sentimos que ele poderia trazer uma visão realmente única para nossa música. Conversamos sobre como a banda dele havia excursionado com Touché Amoré e Vein em 2022, e em como sua música era uma mistura maluca de estilos que no fim das contas fazia sentido. O conhecimento e a apreciação que Corey tem por música pesada fizeram com que a combinação de todos esses gêneros fosse algo muito natural.

Aliás, como foi trabalhar com uma pessoa tão influente na cena? Planejam fazer o mesmo no futuro?

Trabalhar com o Corey é o melhor — realmente não poderíamos ter previsto o quão importante ele se tornaria para o postdrome como um todo. Conhecer o Gleemer e ser fã da música dele tornou tudo ainda melhor. Gravar em seu estúdio (Deep Down) foi um privilégio, uma experiência incrível. Acabamos de terminar mais quatro músicas, e tudo que gostamos na gravação do primeiro EP foi ainda melhor na segunda vez.

Muitas pessoas te conhecem como criador de conteúdo nas redes sociais que fala sobre bandas, mas agora você tem o seu próprio projeto de música. Você sempre teve essa pretensão de ter uma banda ou isso foi algo motivado pela sua presença na internet ?

Sim! Desde jovem eu sempre fui fascinado por música pesada. Meus pais me apresentaram Slipknot e Linkin Park muito cedo, e eu amo até hoje. Quando criança, eu me mudava muito, o que tornava difícil ter uma banda consistente. Isso acabou me levando a criar conteúdo nas redes sociais, mas no fundo eu sempre quis estar em uma banda. Meus vídeos sempre foram meio paródia ou brincadeira com a cena da música pesada, e o postdrome surgiu da minha vontade de fazer algo verdadeiramente do meu coração e dar absolutamente tudo de mim.

E vocês quatro já tiveram outras bandas antes?

Sim! Todos nós já estivemos em bandas em algum momento. Para mim, o postdrome é a primeira banda séria em que já estive, mas o Scott (Hill), nosso baixista, já tocou em bandas em Oklahoma; nosso baterista, Christian (Madingan), já participou de bandas aqui em Denver; e o Maks, nosso guitarrista, esteve em bandas na Flórida. Então todos — exceto eu — já tinham experiência com bandas antes do postdrome. Eu, na verdade, só comecei a tocar guitarra e cantar ao mesmo tempo no ano passado, e nunca tinha feito um show ao vivo até a primeira apresentação do postdrome, então tudo isso é novo para mim.

 

Na última década, nós tivemos uma onda de bandas de rock, metal e hardcore que não necessariamente faziam música shoegaze, mas que utilizavam alguns desses elementos na produção — Title Fight, Superheaven, Citizen e a mais recente Fleshwater, para citar alguns exemplos. Você diria que essas são algumas das principais influências do postdrome? Que outros nomes você adicionaria?

Com certeza! No começo eu não achava que o postdrome teria elementos pesados, mas quanto mais eu escrevia e as músicas tomavam forma, mais percebia que meu amor por música pesada não me deixaria abandonar isso completamente. Eu tinha ido a alguns shows de shoegaze e, embora amasse a música, ainda sentia falta da energia de um show de hardcore e queria que o nosso som juntasse essas duas coisas. Nossas influências são bem amplas: Incubus, Chevelle, A Perfect Circle, Thrice, Slipknot, At the Drive-In, Glassjaw, Converge, Saosin, Basement, The Chariot, Underoath, Deftones, claro. A lista poderia continuar para sempre, mas realmente tiramos muita inspiração do rock alternativo e do nu metal dos anos 2000, além de muito post-hardcore. Muitas dessas bandas têm elementos que hoje associamos ao shoegaze moderno, e sinto que é isso que faz tudo funcionar tão bem junto.

Que bandas você recomendaria para mim e para os leitores do site?

Ultimamente eu tenho curtido muito: Roman Candle, fromjoy e TAGABOW (They Are Gutting a Body of Water) — que não necessariamente é nova, mas é incrível. Eu também amo Crowquill, do Reino Unido, banda pesadíssima no estilo de Vein, Split Chain, I Promised the World e Money.  Roving e Distressor também são duas bandas de LA que curtimos, além de Milly, Full Body 2 e Just Mustard. Também gostaria de mandar um salve para o hardcore e o DIY de Denver — a cena tem sido extremamente acolhedora com a gente, e somos muito gratos por tocar música aqui.

Antes de finalizar, eu não poderia deixar de fazer a pergunta mais clichê de todas: você conhece ou ouve algo da música brasileira?

Eu não conheço muita música brasileira. Acho que a única que sei com certeza é Sepultura. Uma das bandas mais insanas de todos os tempos; Roots é simplesmente um dos melhores álbuns pesados já feitos. Adoraria conhecer mais!