Atualizado em: janeiro 13, 2026 às 7:42 am

Quem acompanha a cena de metalcore no Brasil provavelmente conhece ou já ouviu falar na banda Theoria de Allice, responsável por “Essência do Medo”, que até hoje pode ser considerado como um dos melhores discos da cena local.

E, se você concorda com a afirmação passada, é bem possível que a banda tenha tomado parte de suas emoções com o empolgante lançamento de “Martyrium” (2015) – que dobrou o peso e a intensidade do grupo – e com o lamento ao saber do hiato anunciado por eles em 2017.

Mas é aquilo: hiato é dar um tempo, não colocar um final definitivo. Seis anos depois, a banda voltou a movimentar a cena com o lançamento de novos singles em 2023 e 2024, que foram compilados ao lado de novas músicas no EP “Anima”, gravado e mixado no coelhosstudio (São Bernardo do Campo) e lançado em dezembro do ano passado.

Com ele, novas mudanças vieram. Da formação anterior, apenas a vocalista Elaine Correa e o guitarrista Pedro Cortopassi permaneceram. Dariane Crivillari entrou no baixo ao lado do novo baterista Gabriel Nicolas e do guitarrista Gustavo Kelvin. Ambos assumem os vocais gritados.

Além da troca de membros, a banda também se apresenta de forma diferente em seu som. Eles estiveram em hiato, mas não congelados ao tempo. E o novo EP está aí para provar isso.

 

Anima”, como um todo, é bem mais polido e limpo, com uma produção que faz jus não só aos dias atuais, mas que também segue tendências internacionais, mais especificamente do metalcore moderno. E isso casa com o novo som do grupo, que agora está mais próximo de nomes como: Bad Omens, Architects, While She Sleeps, Spiritbox (especialmente em “Sonhos”) e outros.

Ainda que o prelúdio “Conectar” e a faixa “(Re)Conectar” (que conta com participação de Yuri Lemes, vocalista do Aurora Rules) façam a banda combinar esses elementos com a eletrônica e resgatar uma tendência do metalcore na década passada, em uma mistura que te deixa com um gosto similar às introduções de Asking Alexandria (na fase boa dos primeiros álbuns) e I See Stars.

Também é curioso observar que, mesmo com tantas mudanças, a banda conseguiu ressignificar o seu som sem perder algumas de suas marcas. Sobretudo quando falamos dos vocais. A dualidade de vozes entre Elaine cantando limpo ao lado de vocais rasgados sempre foi algo presente na banda e agora segue acontecendo, mas com alterações que se adequam ao novo estilo.

Em alguns momentos, a dinâmica é dividida entre mais de duas vozes e soa bem mais melódica que antes nas partes assumidas por Elaine. Em “A Última Hora”, isso ocorre como se fosse uma apresentação confessional  da vocalista, mas na maioria das faixas é mais como uma alternância de vozes que se complementam e entregam o que o instrumental vem a pedir.

Devaneios” – que é uma versão remasterizada do single de 2023 – é quem melhor faz valer a descrição anterior e também é uma das melhores do compilado ao lado de “Presságio”. Curiosamente, ambas marcam a reta de fechamento do EP de seis faixas.

Anima” compila o retorno da Theoria de Allice com novas pessoas, ideias e influências centradas naquilo que define as tendências do metalcore na atualidade do mainstream. Se os novos caminhos do gênero te agradam, é bem provável que a proposta do EP seja para você. Caso contrário, algumas ressalvas vão aparecer. O mesmo vale para os antigos ouvintes que gostam das novas bandas do cenário e daquele que caminha por outros lados.

 

Atualmente, a banda se prepara para uma série de shows da tour de divulgação do EP:

07/02: @rocktogetherstudio – São Paulo/SP

28/02: @tetrizclub – Campinas/SP

28/03: @estudiocentral___ – Belo Horizonte/MG

04/04: @belvederecasadecultura – Curitiba/PR