Atualizado em: janeiro 19, 2026 às 7:35 am
Por Guilherme Costa
Eu conheci o Beyond The Black em 2018, em um dos vídeos que o Wacken compartilhou em seu canal oficial do YouTube. O show em questão é da edição de 2016, no qual o grupo liderado pela vocalista Jennifer Haben estava promovendo o seu segundo disco de inéditas, “Lost In Forever”. Creio que o vídeo aguçou a curiosidade de muitos, bem como angariou novos fãs para a banda de Symphonic/ Power Metal.
Por isso, o terceiro álbum foi aguardado com muitas expectativas, até porque seria o primeiro com o núcleo que se mantém firme e forte até hoje — a saber, Jennifer Haben, Chris Hermsdörfer, Kai Tschierschky e Tobi Lodes. “Heart of the Hurricane” não soou tão inspirado como os seus antecessores e pareceu mais uma transição para o choque que seria o disco “Horizons”, com o grupo flertando (em muito) com um metal alternativo moderno.
Ouvindo “Heart of the Hurricane” e “Horizons” (cuja faixa-título é uma das melhores da banda) hoje em dia, o sentimento de inadequação já não é tão grande como outrora. Mas eles ainda me causam o sentimento de que o autointitulado álbum lançado em 2023 serviu como uma espécie de “volta às raízes”. E eu relembro e digo tudo isso, porque o sexto disco de inéditas do quarteto alemão (que atualmente conta com o baixista Linus Klausenitzer como membro não oficial) é outro passo ousado e muito bem executado — diferentemente do impacto de “Horizons” — do Beyond The Black.
Liberado no dia 9 de janeiro, via Nuclear Blast, “Break the Silence” cumpriu a promessa de ser o início de uma “nova era”. Contudo, é importante apontar que o autointitulado álbum de 2023 foi o passo inicial para essa roupagem moderna do Symphonic/ Power Metal, com o recente álbum aperfeiçoando o novo DNA do Beyond The Black — que agora consegue ter toques modernos, com a utilização de bases eletrônicas sutis, sem pender para o Metal Alternativo.

“Rising High” foi a primeira prévia do álbum que o quarteto liberou, em junho do ano passado, e também tem a incumbência de abrir “Break The Silence”. Com poucos resquícios dos elementos sinfônicos dos dois primeiros álbuns, a faixa é focada na força das guitarras da dupla Chris Hermsdörfer e Tobi Lodes e também não tem tantos elementos eletrônicos, sendo mais Heavy Metal. Já a faixa-título, que vem logo em seguida, tem muito de “Songs of Love and Death” e “Lost In Forever” (sobretudo em faixas, como “When Angels Fall” e “Lost In Forever”) com Jennifer Haben mostrando toda a sua potência vocal.
Dentre as cinco prévias que anteciparam o lançamento do sexto álbum da banda, certamente “The Art Of Being Alone” foi a mais “hypada” devido a participação do vocalista do Lord of The Lost, Chris Harms. O crossover, que não podia dar errado, encaixou muito bem na atmosfera do álbum, com o dueto entre a voz jovial de Jennifer Haben e o vocal grave de Harms se convergindo no refrão extremamente dramático e claustrofóbico:
“Olá solidão, estou de volta/ Para fazer da solidão meu lar/ Onde a reflexão é minha melhor amiga/ É a arte de estar sozinho/ Nos cantos sombrios do meu coração/ Há um mundo que chamo de meu/ Quando o silêncio desfaz minha alma/ É a arte de estar sozinho”
“Let There Be Rain” é talvez uma das faixas mais impactantes do disco, muito por causa da introdução em russo da cantora búlgara Gergana Dimitrova; ela também tem um groove que sempre esteve na discografia dos alemães. No geral, entretanto, ela está no Symphonic/ Power Metal característico do BTB — que basicamente é o que os seus fãs querem ouvir —, que é reafirmado com a potente “Hologram”.
O que há de diferente, então?
O Beyond The Black sempre teve em si a chancela de “banda moderna”. No começo, o grupo era uma banda de metal sinfônico que não tinha caído no clichê do vocal lírico e do uso excessivo de partes orquestrais — em “Horizons”, eles ficaram modernos demais.
Já no autointitulado álbum de 2023 “Break The Silence”, o quarteto conseguiu balancear os seus impulsos criativos. “The Flood”, por exemplo, até assusta com a sua introdução futurística, mas logo é engolida por uma série de riffs comuns ao grupo; já “Can You Hear Me”, que conta com a participação do grupo japonês Lovebites, assusta por ter uma introdução que deixaria os integrantes do Amaranthe orgulhosos, mas também não oferece nada tão chocante como “Misery”, ao passo que a introdução oitentista (com a roupagem do Lord of The Lost) de “(La vie es un) Cinéma” é de fácil absorção. Ela, aliás, tem o refrão (“A vida é um filme/ Um filme bizarro/ A vida é um filme grotesco/ Um estranho filme noir/ A vida é um filme/ Um filme bizarro”) cantado em francês.
Surgindo como uma boa alternativa dentro do metal sinfônico, “Break the Silence” consolida a nova realidade do Beyond The Black, que já pode ser considerada uma banda com grande potencial para furar a bolha do mundo do metal. Isso só pode ser cogitado, porque Jennifer, Chris, Kai e Tobi mais uma vez se mostraram à altura do sucesso que eles vem construindo!