Atualizado em: dezembro 12, 2025 às 8:51 am
Por Guilherme Costa
O Symphonic Metal ganhou destaque na metade da década de 90, quando algumas bandas de Power Metal (Stratovarius, Rhapsody of Fire, Blind Guardian…) e Black Metal (Dimmu Borgir, Cradle of Filth, Emperor…) encorparam o seu som com elementos sinfônicos . Mas foi quando diversas bandas começaram a adicionar camadas sinfônicas à sonoridade Gothic e Doom Metal (Therion, Nightwish, que tinha muito de Power Metal em seu som, Within Temptation, Theatre of Tragedy, Tristania e etc.) que o gênero adquiriu o seu rosto.
Pulando para a década de 20 do século 21, enquanto algumas bandas encerraram as suas atividades, outras deixaram as partes orquestrais — tanto no Power quanto no Symphonic Metal — e começaram a utilizar bases eletrônicas; fato que também atingiu uma nova safra de grupos, cada vez mais eletrônicas (vide o Temperance, Metalite e Amaranthe). Mas há uma banda que decidiu ir contra a corrente!
O Blackbriar foi fundado no ano de 2012, em Assen, Países Baixos, e já lançou três EPs e três discos de inéditas. Diferentemente da tendência de usar das camadas eletrônicas para preencher a sua sonoridade, a banda — atualmente formada por Zora Cock, René Boxem, Bart Winters, Robin Koezen, Ruben Wijga e Siebe Sol Sijpkens — resgata a carga de dramaticidade gótica do Tristania (e, consequentemente, os primeiros trabalhos do Sirenia), Trail of Tears e The Sins of Thy Beloved.
No dia 22 de agosto saiu, via Nuclear Blast, o disco “A Thousand Little Deaths”, para reforçar as veias góticas do sexteto neerlandês.
“O álbum apresenta 10 faixas originais que exploram a delicada relação com a mortalidade através de melodias poderosas e letras evocativas.”
Embora os vocais se concentram na bela voz de Zora, deixando as linhas de vocais guturais de lado, as referências são claras ao passo em que a construção das faixas mergulham em texturas vitorianas-góticas-melancólicas. Um dos singles liberados previamente, “I Buried Us”, pode resumir como o Blackbriar conseguiu caminhar entre passagens sinfônicas e atmosfera gótica.
Dois anos após o álbum “A Dark Euphony”, “A Thousand Little Deaths” aperfeiçoa a dinâmica que o grupo apresenta ao aliar guitarras encorpadas e bases sólidas às narrativas cantadas por Zora. É nessa tônica que “Bluebeard’s Chamber” abre o álbum, sendo introduzida por um teclado e violino até a sua explosão; ela é emendada em “The Hermit and the Lover”, que já inicia com um tom urgente e dramático, enquanto a parte rítmica serve apenas como um apoio para a narrativa de Zora.
Comentar da Zora e das suas narrativas durante o andamento das faixas é basicamente resumir o álbum. Talvez o auge dessa relação seja na faixa “The Fossilized Widow”, que conta a história “de uma garota congelada no tempo, agarrada desesperadamente a alguém que nunca poderá deixar ir”, onde todos estão empenhados em criar atmosferas e não riffs, falsetes ou grandiosas linhas orquestrais. É aí que o Blackbriar ganha o ouvinte: eles não estão interessados em mostrar virtuosismos, eles querem contar histórias!
Deixando o protagonismo da Zora um pouco de lado, para focar na qualidade das linhas da sessão rítmica, eu cito as faixas “Floriography” e “A Last Sigh of Bliss”. Enquanto a primeira é guiada por um groove de baixo-bateria e tem um quê do Within Temptation (do “The Heart of Everything”), a segunda é mais pesada; mesmo que o seu início dê espaços para o “vazio”, há uma explosão durante a ponte-refrão (nada convencional), com a dupla de guitarra criando ótimas bases!
Enquanto o Epica é sobre riffs (sobretudo após a entrada de Isaac Delahaye), o Nightwish é sobre as partes sinfônicas de seu comandante, e o Sirenia, Within Temptation, Delain e Xandria se debruçaram sobre as camadas eletrônicas, o Blackbriar é guiado pelas histórias que eles se dispõe a cantar. Mesmo que eu tenha citado incansavelmente a proeminência vocal de Zora Cock, a sonoridade presente em “A Thousand Little Deaths” é amarrada de tal forma, que nenhum elemento (vocal, guitarras, baixo, bateria e elementos sinfônicos) está em segundo plano.
O Blackbriar está entre os Melhores do Ano do Um Outro Lado da Música!