Atualizado em: dezembro 8, 2025 às 9:10 am

Por Guilherme Costa

Para quem não se cansa de dizer que o rock está morrendo, podemos apontar para as tantas novas bandas que têm surgido ao longo dos anos, criando uma base sólida de fãs (foi o que que eu presenciei, por exemplo, quando fui no show do Jonabug). Entre as sonoridades mais exploradas, certamente o rock alternativo do fim da década de 80 e do início de 90 — inclui, aqui, gêneros como o Shoeagaze, Dream Pop, Grunge, Midwest emo e etc. — e o Post-Punk estão entre o foco da garotada.

Talvez seja porque a sonoridade despojada e livre de amarras técnicas e estéticas, que bandas como o Pixies, Sonic Youth, Nirvana, Pavements, My Bloody Valentine, Hüsker Dü (para citar alguns nomes) apresentaram e consolidaram em seus clássicos, são tão palatáveis a quem está começando a tocar um instrumento e tentando tirar o seu próprio som, que olhar para eles seja como olhar para o espelho.

A Horsegirl é um dos nomes que tem de ser citados, quando o tema é sobre novos grupos de jovens pessoas. Criado em Chicago, ainda quando era adolescentes, o trio lançou o disco de estreia Versions of Modern Performance” em 2022, mostrando como era a sua leitura de grupos como o Sonic Youth, Yo La Tengo e Stereolab.

Três anos depois, Nora Cheng, Penelope Lowenstein e Gigi Reece — já no início da vida adulta — lançaram o seu segundo disco de estúdio, “Phonetics On an On”, no dia 14 de fevereiro, via Matador Records. Poderíamos imaginar que o salto lírico entre a estreia e o seu sucessor seria a respeito do processo de maturidade das jovens meninas, certo? Mais ou menos.

“Este disco é totalmente diferente da vibe adolescente do primeiro disco. É mais sobre a alegria da arte infantil, e aquela inocência que pode ser muito difícil de replicar como adulto, mas você gostaria de poder explorá-la.” Comentou o grupo em entrevista para o site Stereogum.

A jovialidade presente no álbum, pode ser sintetizada pela sonoridade mais minimalista, crua e DIY. Se na estreia, a base estava focada em duas guitarras, em “Phonetics On an On” podemos pensar que a trinca clássica guitarra-baixo-bateria é a base para as melodias ora dissonantes e (quase) sempre pop do disco.

“Where’d You Go?” abre o registro de forma rápida, básica — até mesmo no solo presente na faixa — e cheia de “la-de-da”, mostrando em seus quase dois minutos como soaria a nova empreitada do trio. “Rock City” parte da onde “Where’d You Go?” terminou, tendo como fio condutor uma simples e notória linha de baixo. O instrumento também é destaque em “In Twos”, cujo conteúdo lírico é tão simples quanto a parte rítmica, com os versos “Cada carro que passa vai até você” e “e eu tento” sendo utilizados num grande looping.

É interessante pensar que o tal “desprendimento da vida adulta” reflete nas letras simples. Embora seja algo adolescente querer gritar contra tudo e todos, tendo soar adulto, também é característico dessa fase da vida ser despretensioso e não pensar além do próprio passo. E quando elas tocam “In Twos” e “2468”, cuja letra (“dois, quatro, seis, oito/ eles andam em dois/ da-da-da-da-da-da”) é basicamente uma repetição durante os seus 3:18 de duração, há de se entender o que elas querem dizer com “a alegria da arte infantil”.

O fato do disco ser mais cru que o seu antecessor não impediu a Horsegirl de utilizar camadas adicionais em algumas faixas. Se em “2468” os violinos ganharam destaque em seu andamento, “Julie” é carregada de sintetizadores; o que não muda é o teor minimalista que o trio empregou durante o álbum.

Lá em cima, eu comentei que o álbum continha diversas melodias pops. Seja pelo uso de “da-da-da-da, do-do-do-do-do ou whoo-hoo, hoo, hoo-ooh, hoo-ooh”, ou por ter um quê do folk pop que a canadense Feist costuma fazer em suas músicas. Fato é que, mesmo em faixas “mais rock” (“Switch Over” e “Information Content”), as músicas de “Phonetics On an On” podem ser facilmente inseridas em contextos que fujam da introspecção rock alternativo.

Crescer é algo incomodo, necessário e contínuo. É importante, também, não medir maturidade com atitude a ou b. Pois, enquanto Gigi, Nora e Penelope olharam para os sentimentos presentes na adolescência, elas também deram um passo em direção ao seu amadurecimento pessoal e sonoro!

A Horsegirl está entre os Melhores do Ano do Um Outro Lado da Música!