Atualizado em: outubro 1, 2025 às 10:53 am

Por: Arthur Coelho

O thrash é um subgênero do metal que muitas vezes só é mencionado quando se fala das grandes bandas do estilo — Metallica, Slayer, Anthrax, Megadeth, Exodus, entre outras — geralmente localizadas nos Estados Unidos ou na Europa.

Mas quem pensa que o gênero se limita a tais nomes e locais está enganado. O thrash metal é gigantesco na América do Sul, especialmente quando falamos do Brasil. E nem é preciso citar o Sepultura (que teve uma fase marcante no estilo) para sustentar tal afirmação.

Há diversas outras bandas que, embora não tenham recebido a atenção merecida, representam muito bem o som em território nacional. Uma delas é o Deathgeist, que reúne veteranos da cena local em um projeto diferenciado.

O quarteto foi formado em 2017, na cidade de São Paulo, por Adriano Perfetto (vocal e guitarra) e Victor Regep (guitarra), ambos da banda Bywar. A eles se juntaram o baterista Hugo Golon e o baixista Maurício Bertoni. Posteriormente, Fernando Oster assumiu a bateria.

A banda já lançou três discos de estúdio até o momento, sendo o mais recente “Procession of Souls” (2022), que apresentou um salto significativo no nível de produção — justamente o que faltava ao Deathgeist para alcançar os céus… ou o inferno.

Formação atual do quarteto com Adriano Perfetto, Victor Regep, Maurício Bertoni e Fernando Oster.

O Deathgeist entrega aqui um trabalho de temática ocultista e mística. Nada inédito para quem acompanhou os lançamentos anteriores do quarteto. Nesse sentido, Procession of Souls flerta com o conceitual e funciona como uma continuação espiritual de seu antecessor “666”, mas com maior variação musical, ainda que com uma música a menor.

De forma surpreendente, o álbum se inicia com tons mais suaves, em uma deliciosa melodia limpa que se prolonga por alguns compassos antes de preparar o ouvinte para a porrada que vem em seguida. The Greed’s Inferno funciona como um prólogo que logo troca a calmaria por riffs potentes.

A faixa mais longa do disco só libera os vocais por volta dos dois minutos, quando o ritmo já está tomado por um baixo marcante ao lado de batidas skank beat que sustentam a intensidade da guitarra. A construção é frenética e, sem cessar, apenas freia apenas em um momento de melodia vocal específico.

O mesmo ritmo se mantém em Morlocks, cujo título pode ter sido inspirado pela cultura pop — e que soa como uma continuação da abertura, agora  adição de um solo de guitarra. “Living Dead Melody”, que vem em seguida, combina o thrash com um refrão breve que flerta com o pop dos anos 80.

A partir daí, a atmosfera mortuária domina as faixas restantes, que passam a representar uma espécie de limbo (na história contada pelas letras) na mente dos ouvintes. O purgatório do Deathgeist, porém, é tomado por influências do thrash alemão com momentos únicos — como a introdução groovada e divertida de Nightmare’s Chamber.

Os três atos finais de Procession of Souls levam o conceito do Deathgeist para um lado ainda mais mórbido. O fim começa na perdição de Far From Reality”, com pedal duplo e um baixo potente; passa pelo sofrimento de Depressive Thoughts (uma das melhores do disco) e se encerra com o clássico efeito de fade-out no horror de Fear.

Dessa forma, a banda brasileira entrega seu terceiro — e melhor — disco de estúdio até o momento com oito músicas coesas que combinam elementos clássicos do thrash metal, ousadia criativa e muita energia traduzida em forma de som.