Atualizado em: setembro 2, 2025 às 8:40 pm
Por Arthur Coelho
A famosa frase “Grunge is Dead” (O grunge está morto) proferida por Kurt Cobain, Scott Weiland e jornalistas musicais dos anos 90 parece nunca ter feito muito sentido, apesar da boa intenção de cada um deles.
É claro que o hiato ou fim de bandas como Nirvana, Alice In Chains e Soundgarden causou certo refluxo no movimento de Seattle, assim como a sua apropriação pelas grandes indústrias do consumo. Mas isso nunca significou que os respectivos grupos (e muitos outros) fossem de fato esquecidos.
Muito pelo contrário, o grunge se expandiu e se tornou algo além: um gênero musical agora válido para bandas de fora da renomada cidade portuária e que ficariam conhecidas pelo nome post-grunge, outra categorização para todo um conjunto de artistas com sonoridade influenciada pelas grandes bandas do movimento.
Para além das bandas do final da década de 90, como Silverchair e Creed, o post-grunge permanece intacto mesmo em atual período, com novos artistas que apresentam uma combinação de elementos já consagrados com novidades musicais.
Um nome que vem crescendo nesse sentido é o do trio Moon Rules Apply, formado em 2021, em Chicago, e que se utiliza bem das redes sociais, principalmente do Tiktok, para promover suas músicas. Após apresentar alguns singles entre 2022 e 2023, eles enfim lançaram seu trabalho mais pretensioso até o momento: “Too Many Damn Hippies On My Front Lawn”.
Desde os primeiros segundos, o álbum chama atenção por três coisas: a impressionante qualidade técnica do Power-trio, suas distintas influências instrumentais e a voz do vocalista e guitarrista Andre Holman, que lembra o timbre de Layne Staley (talvez um pouco mais grave) sem soar como uma imitação.
E dá para apontar outras ligações especiais com outras grandes bandas. “Caged Mind”, por exemplo, abre o disco com um teor ao mesmo tempo irônico e melancólico que tem muito em comum com as composições do Nirvana, assim como acontece em “Fade”, que puxa mais para o metal, e na melodia cabisbaixa de “With Me”.
As primeiras faixas já demonstram parte da capacidade do Moon Rules Apply de unir boas referências com o potencial de quem sabe ousar e experimentar ao dar o devido espaço para cada instrumento aparecer.
“Office Papers”, o maior sucesso em reproduções da banda, destaca um solo de guitarra que reaparece em outros momentos, enquanto a faixa punk “Hate It” coloca o baixista e compositor Logan Stogentin para solar antes que Ryan Weaver entre quebrando tudo com sua bateria que mantém o groove com peso e intensidade.
Também dá para notar certo flerte do trio com o Metal Alternativo, algo que também atingiu diversos nomes do movimento de Seattle. “Monster Stomp” dá toques de Sludge a um som mais arrastado e sujo, enquanto “The Q” une um quase hardcore com o gênero mais pesado e a psicodelia.
Em “Where It Really Hurts”, esses mesmos elementos citados anteriormente são combinados com quebras de reggae que casam em um contraste inesperado e criativo.
O disco “Too Many Damn Hippies On My Front Lawn” surge para mostrar que é possível fazer um som autêntico sem precisar esconder suas inspirações em bandas já renomadas. A estreia do Moon Rules Apply esbanja criatividade, dialoga com diferentes estilos e faz com que cada um de seus músicos consiga se destacar na construção de faixas sinceras que não deixam o peso e a energia de lado em nenhum momento.